terça-feira, 1 de maio de 2012

A diversidade é o que incomoda os Xéxeos da velha classe média



Por Rafael Galvão em seu Blog




E a classe C incomoda muita gente

Um dos textos mais bobos publicados na imprensa brasileira nos últimos tempos, o artigo “Sobre a Classe Média” de Artur Xexéo na revista do Globo do último domingo já chegou às redes sociais. Nele, Xexéo reclama do incômodo que a ascensão da classe C está causando em quem, como ele, representa a “Velha Classe Média”. É um artigo leve; é preciso lembrar que um caso bizarro como o do Ed Motta reclamando de gente feia é a exceção, que em suas melhores encarnações aquela classe média de Ipanema-Leblon é doce, tranquilinha e sorridente. O texto do Xexéo traz isso, essa condescendência e essa suavidade que mascaram um grande preconceito e um enorme incômodo da Velha Classe Média ao se ver diante de ex-pobres nos mesmos lugares que ela.

Talvez o aeroporto seja o lugar onde as frustrações e o desconforto desse pessoal sejam mais evidentes. É altamente simbólico, isso. O aeroporto era um dos lugares em que a pequena burguesia, para usar termos antigos como a Velha Classe Média, se sentia superior à patuleia e mais próxima dos ricos. Porque pobre paulista, por exemplo, não ia para Porto Seguro de avião; pegava um ônibus para Pindamonhangaba no Terminal do Tietê e passava uns dias na casa de uma irmã. A ascensão social das duas classes mudou isso: para Porto Seguro agora vão os ex-pobres, enquanto a Velha Classe Média passa uns dias na Europa todo santo ano.
O problema é que tem mais gente esperando ser atendida, as filas aumentaram, aquele povo mais feio ocupa atravanca o diacho do aeroporto. No entanto não dá para reclamar disso, porque cá entre nós ficaria muito feio, é quase como reclamar de preto no mesmo clube que você.
Aí a classe média reclama dos cereais nos aviões.
É tão bobo, isso, tão bobo colocar a culpa pela barra de cereal na Nova Classe C. Alguém podia dizer ao Xexéo que essa culpa não é dela. Porque esse processo, comum no mundo inteiro, não tem nada a ver com a afluência recente desse grupo socioeconômico no Brasil. Tem a ver com corte de custos em terra e começou bem antes do governo Lula. Na verdade é a classe C que está possibilitando que a Velha Classe Média possa continuar a viajar de avião, dando mais fôlego a um setor que, a julgar por sua história, é cronicamente inviável — e viajar para a Europa, ainda por cima. Eu, pelo menos, venho de um tempo distante em que só os ricos viajavam para lá.
Mas a VCM precisa de um bode expiatório para justificar o que ela não tem coragem de dizer: que não quer pegar filas maiores, que não quer aquela gente perto demais, que se sentiria mais confortável com a plebe atulhada nos ônibus da Itapemirim. Então fica achando motivos para implicar.
Essa reação, esse desconforto generalizado, podem ser vistos em outros lugares. No incômodo causado pelos evangélicos, enquanto a intolerância católica é mais aceita. Na reação de tanta gente à proliferação dos ciclomotores em 36 prestações, quando o problema aí é a falta de uma legislação mais rigorosa e maior fiscalização. Essa Velha Classe Média tem vergonha de dizer que a classe C a incomoda. Tem vergonha de dizer que não gosta de viajar ao lado de gente mais feia, que não gosta dos engarrafamentos maiores porque os outros agora têm carros, que não gosta das concessões que é obrigada a fazer. Não é polido; e a Velha Classe Média, sejamos justos, sempre teve pruridos em excesso.
Para fins de implicância disfarçada, normalmente não há nada como preconceito cultural. Mas não para o Xexéo. Ele é o sujeito que teve coragem de escrever que “Eu quero de volta o meu filme legendado na TV e torço pela possibilidade de passar um intervalo comercial inteirinho sem assistir a um anúncio do Supermarket.” Porque na melhor das hipóteses ele deve estar gagá e lembrando de um tempo que nunca existiu. Na TV aberta filmes legendados só eram exibidos uma vez por semana, por força de lei, em horários muito ingratos, como a meia-noite da segunda-feira. Na TV por assinatura, essa de que ele provavelmente reclama agora, os filmes legendados continuam aí, em canais como Telecine Premium, Cult e Fox. O que o incomoda, no fundo, é a simples existência dos filmes dublados. Eles jamais assumirão; mas é a diversidade que incomoda o Xexéo e toda a Velha Classe Média. (Quanto aos comerciais, faz mesmo diferença se é anúncio de Supermarket ou Chanel?)
Mais bobagem ao reclamar que “a tal Classe C ama música em alto volume”. Bobagem porque as outras também gostavam, principalmente quando se tratava de rock and roll — e aposto que um ou outro tem um orgulho danado de ouvir ópera bem alto para impressionar os vizinhos: “L’amour est un oiseau rebelle que nul ne peut apprivoiser” impressiona mais do que “Ai, se eu te pego, ai, ai se eu pego.” Mesmo no subúrbio.
Mas que não se diga que o texto do Xexéo é totalmente desprovido de qualidades. Há um ponto que a Velha Classe Média poderia levantar, com mais razão do que ao fazer picuinha com cereal.
Para todos nós, a classe C se tornou uma espécie de panaceia universal. É justificativa para tudo. E acaba obscurecendo o fato de que a Velha Classe Média (que gosta de ser chamada assim, percebo agora pelo texto do Xexéo, porque lembra vagamente o conceito de “quatrocentão”; como quem diz “eu viajo na classe econômica dos aviões há mais tempo do que você!”) tem, sim, uma certa razão.
O afluxo de um volume alto de consumidores fez com que a qualidade de muitos produtos e serviços diminuísse sensivelmente. É cada vez mais comum ouvir justificativas do tipo “o trânsito está pior, mas poxa, deixa para lá porque isso quer dizer mais pobre com carro”. E essa é uma atitude equivocada. É preciso encontrar soluções para isso, e não apenas tolerar.
Mais de 20 anos atrás, li uma entrevista muito interessante com o Stephen Kanitz na revista Imprensa. Ele apontava um caminho para o desenvolvimento do país; o investimento na classe C. E dava como exemplo o videocassete: em vez da indústria apostar em VCRs sofisticados, com 739 cabeças (alguém lembra disso?), era melhor fazer aparelhos mais simples, com duas cabeças apenas, e vendê-los mais barato. Me pareceu válido, na época. E de certa forma foi isso que a ascensão da Nova Classe C possibilitou.
O desafio agora é outro, não é oferecer produtos e serviços de segunda para esse pessoal ascendente. É oferecer mais qualidade por preços mais baixos. E quem não entende isso não entende a classe C. É o caso desse pessoal. Fossem mais inteligentes e deixariam um pouco de lado seus preconceitos de classe, se juntariam ao “diferenciados” para exigir mais. Sairiam ganhando. Mas essa Velha Classe Média não consegue ver isso. E por isso acabamos lendo artigos como esse.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Uma resposta muito bem-humorada contra todas as formas de preconceito.

Via Portal Nassif
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"O Congo da Uerj", a carta lida por Luiz Fux

O Ministro Luis Fux, do STF,  na justificativa que fez do seu voto, leu a carta enviada pelo CALC - Centro Acadêmico Luiz Carpenter, do Direito, e lembrou a espontaneidade da juventude carioca, ao citar a auto-referência que estudantes da UERJ adotaram nos Jogos Jurídicos: 
A UERJ É O CONGO. E O CONGO VENCE TUDO.
Na verdade, uma resposta muito bem humorada contra todas as formas de preconceito.

Rio de Janeiro, 25 de abril de 2012.
Nós, estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, manifestamos diretamente nosso sentimento, neste momento decisivo da história do combate às desigualdades sociais e raciais em nosso país.Como estudantes de uma instituição pública que adota o sistema de reservas de vagas em seu exame de ingresso há dez anos, a serem completos neste ano de 2012, podemos dizer que, felizmente, estudamos em um ambiente mais democrático, menos desigual e, principalmente, mais brasileiro.
Afirmamos a brasilidade de nossa Universidade no sentido do Brasil que desejamos, pelo qual trabalhamos e que sabemos ser a busca desta Corte Suprema, bem como de todo o poder judiciário nacional e dos Poderes legislativo e executivo nacionais.
O sistema de cotas, em nossa Universidade, reserva vagas para estudantes que comprovadamente se encontram em desvantagem econômica, de modo que tais vagas sejam preenchidas, conforme porcentagem, por pessoas com deficiências, por filhos de policiais civis e militares, de bombeiros militares e de inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço, e por índios e negros.
Tal reserva de vagas, na UERJ, dá-se em cumprimento à lei estadual 5.346/08, a qual busca concretizar não apenas as disposições do art. 3º da Constituição Federal, mas também às determinações de leis especiais, tal como o Estatuto da Igualdade Racial, disposto pela lei 12.288/10, que dispõe sobre as ações afirmativas.
A partir do ingresso desses estudantes, há dez anos, observamos uma mudança completa no ambiente de nossa formação acadêmica cujas consequências foram apenas benéficas.
No momento da adoção do sistema de reserva de vagas, porém, muitas críticas foram levantadas, como o são até hoje e despertam a ação aqui discutida. As críticas, no entanto, nada mais revelam do que o total desconhecimento das reais necessidades da Universidade brasileira e, por isso, as acusações ao sistema de cotas devem ser veementemente rebatidas e o são, pelos estudantes que assinam esta carta e que, sem dúvidas, ganham adesão da sociedade nacional e desafiam os condenadores do sistema debatido a provarem a concretização de quaisquer de seus argumentos.
Após dez anos de adoção das cotas, é possível observar que, conforme constatado em diversos estudos sobre o tema, os estudantes cotistas correspondem à oportunidade que conquistam com resultados que podem ser equiparados ou que até mesmo superam aqueles obtidos por estudantes que ingressaram na Universidade pelo regime tradicional de preenchimento de vagas.
O crescimento do ódio racial, por sua vez, que muitos alegaram ser inevitável em um sistema no qual haveria distinção por etnia para o ingresso no ensino superior, não é característica de modo algum notável em nosso ambiente acadêmico. Ao contrário, notamos que a diversidade que vivenciamos em nosso ambiente universitário e que reflete, de fato, o Brasil, possibilita um enriquecimento de nossa formação acadêmica e pessoal que, até o momento, não possui equivalente em instituições de ensino que não adotam o sistema.
Note-se, ainda, que a distinção dos estudantes, para ingresso nos cursos de ensino superior, proporcionou para a Academia, não apenas a diversidade, mas também o estímulo ao debate sobre a existência do racismo, em nossa sociedade, e a busca por instrumentos e políticas para combatê-lo, como mecanismo de seu desenvolvimento.
São formados, assim, sem distinção alguma de tratamento, profissionais de excelência, em todas as áreas do conhecimento, capazes de refletir e dispostos a, em breve, pintar de todas as cores os cargos de liderança de nossa nação.
A experiência de adoção do sistema de reserva de vagas em nossa Universidade também provou ser falsa a ideia por alguns alegada de que aquele violaria a meritocracia historicamente adotada no ingresso à Universidade brasileira.
Neste ponto, revela-se nada mais do que a ausência de compreensão a respeito da forma de ingresso nos cursos de graduação a partir do sistema de cotas, visto que este exige, dos estudantes que o utilizam, a aprovação no mesmo e difícil exame de vestibular prestado por aqueles que não se valem das vagas reservadas.
Logicamente, ainda há muito a ser feito, em nossa Universidade, pois é preciso que aos estudantes cotistas seja oferecido todo o suporte necessário à sua permanência nos cursos de graduação, em especial financeiramente, sendo necessário o aprimoramento desse auxílio.
O sucesso das cotas, na UERJ, entretanto, revela a importância e, ainda mais, a necessidade de sua adoção nas demais instituições públicas de ensino superior do país, visto que ele impulsionará, em um futuro próximo, a redução das desigualdades sociais e raciais de nosso país, a partir do preenchimento de nossos quadros profissionais por cidadãos de todas as origens.
Para tal, é essencial que este tribunal acolha a demanda dos estudantes e do povo brasileiro e reconheça a constitucionalidade do sistema de cotas, em sua integralidade, o que inclui a reserva de vagas por critérios de origem social e racial.
Esse reconhecimento será não apenas a promoção da justiça, mas também o passo deste tribunal que revelará a sua determinação em buscar o desenvolvimento e a construção do país efetivamente desejado por todos.

Membros da gestão Reconstruindo o CALC, do Centro Acadêmico Luiz Carpenter

Os populistas... ah, os populistas!!!

Do Tijolaço



Uma notinha, na seção “Há 50 anos” do jornal O Globo, que não escapou ao ao olhar atentíssimo do  amigo Ápio Gomes, mostra como não há nada de novo na cantilena de que os direitos sociais dos trabalhadores inviabilizam a competitividade das empresas brasileiras.
Há 50 anos, portanto, o Congresso aprovava e o presidente trabalhista João Goulart sancionava um benefício que se incorporou á vida brasileira e não provocou nenhum “desastre” como previa Eugênio Gudin, então a fina flor do reacionarismo econômico de então.
Como os que arranjaram a cobertura dos militares para derrubar Jango do Ministério do Trabalho, em 1953,  por defender a elevação do salário mínimo, esta gente acha, há muito mais do que 50 anos, que o problema da economia é mesmo o trabalhador.
Se bobear, até a Princesa Isabel entra na  lista dos “populistas”.

sábado, 28 de abril de 2012

Cotas: A decisão unânime de uma revisão histórica.

Via Portal Nassif

As cotas e a elite brasileira

Por Assis Ribeiro
A decisão unânime de uma revisão histórica.
Da Época
Paulo Moreira Leite
A decisão do Supremo sobre cotas marca um momento histórico. A mais alta corte de Justiça do país admitiu não só que existem brasileiros tratados como cidadãos de segunda classe, mas que eles têm direito a um tratamento especial para vencer a desigualdade.
A votação unânime mostrou, do ponto de vista jurídico, que as cotas são um projeto compatível com a Constituição.
Do ponto de vista histórico, é a decisão mais relevante sobre o assunto desde a Lei Áurea. Pela primeira vez o Estado brasileiro não se limita a punir o racismo, como se faz desde  os anos 50, mas pretende tomar medidas efetivas para beneficiar a população negra e ajudá-la a vencer uma perversidade histórica. Sai de uma perspectiva formal para assumir as funções concretas de combater a desigualdade na vida cotidiana.
A decisão mostrou, do ponto de vista político, um abismo entre nossa elite econômica e política  e o conjunto do país.
O STF uniu-se para defender as cotas. Ministros chamados conservadores e progressivas responderam, cada um à sua maneira, às alegações dos adversários das cotas.
Embora tenha usufruído de um espaço imenso nos meios de comunicação, no placar do Supremo o combate às cotas ficou ainda menor do que o partido que a patrocinou, o DEM, cada vez mais insignificante na definição dos rumos do país. Mas um partido político pode ser desfeito, incorporado a outro, reformado e assim por diante.
Mas o que faz uma elite que não consegue compreender para onde vai o país onde ocupa o topo da sociedade, dirige a economia e tem uma influencia importância na ação do Estado, mesmo que o governo não esteja nas mãos de seus representantes prediletos?
Essa é a pergunta.
Ficou claro que, do ponto de vista dos ministros, nos últimos anos o Brasil foi inundado por argumentos retóricos, falsas questões, ginásticas verbais e até teses desqualificadas demais para serem levadas a sério.
Vários ministros ensinaram aos interessados que a principal tese contra as cotas – de que elas ameaçam a igualdade entre os cidadãos – é puro improviso jurídico.
Para começar, vários grupos sociais diferenciados  – mulheres, crianças, deficientes físicos – têm direito a preferências negadas aos demais. Ninguém, nunca, achou ruim.
Vários ministros lembraram Ruy Barbosa, que ensinou que é preciso tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade.
Cezar Peluso explicou que só é possível falar em disputa pelo “mérito individual” para ingresso nas universidades públicas entre pessoas que  competem em situação de igualdade ou pelo menos “assemelhada.”
Marco Aurélio Mello disse que o combate às cotas se alimenta de uma visão preconceituosa da própria Constituição. Lembrou que dez anos de experiência com o sistema em nada contribuíram para transformar o Rio de Janeiro num estado “racialista”, um dos fantasmas originalíssimos dos adversários, que querem nos fazer acreditar que o racismo brasileiro iria início com as políticas de ação afirmativa – e não seria fruto de um passado perverso, onde a escravidão foi abolida sem que se tomassem medidas coerentes para integrar os negros ao conjunto da sociedade.
Celso Mello lembrou que o país se libertava, naquela votação, do pensamento  que havia criado a “ideia, ou mito, da democracia racial” de Gilberto Freyre, para aderir a visão do professor Florestan Fernandes, autor do clássico A Integração do Negro na Sociedade de Classes, e seu aluno, Fernando Henrique Cardoso.
Celso Mello ainda homenageou uma militante aguerrida do movimento negro, Edna Roland, uma das principais ativistas no combate ao racismo.
Mencionando ironicamente um fato ocorrido durante a ditadura militar, Celso Mello lembrou que, ao ser questionado em organismos internacionais sobre medidas que havia tomado para enfrentar a discriminação racial, o governo dos generais escreveu a seguinte resposta: “não há medidas a relatar porque não há discriminação racial no Brasil.”
Essa feia realidade começou a se transformar em entulho após a decisão do Supremo.
O Brasil está mudando e tem gente que não percebe. Vários ministros falaram sobre a necessidade de modificar e ajustar a política de cotas, em particular na forma que ela assumiu na Universidade de Brasília, que foi o foco do julgamento.  Este é o debate para o futuro.
A lição de ontem foi vencer o passado, mostrando que não é possível manter eternamente um sistema de opressão e preconceito que prejudica e humilha 51% dos brasileiros.
Quem queria, de verdade,  que a desigualdade fosse vencida por idéias clássicas que nunca foram implementadas – como escolas melhores nos bairros pobres — deve reconhecer que o tempo histórico para iniciativas convencionais já passou. Foram décadas e décadas de promessas jamais cumpridas.
Também cabe perguntar: se as escolas públicas ficaram piores até mesmo em bairros de classe média, por que se deveria levar a sério a promessa de ocasião de que irão melhorar na periferia?
Vamos combinar: seria até falta de respeito pedir aos cidadãos negros que aguardassem o tempo histórico de várias gerações em nome da promessa de que, um dia, seus bisnetos e tataretos quem sabe poderiam disputar um lugar ao sol como os demais brasileiros.
Seria lhes pedir — olha o tamanho da indignidade — que aceitassem a posição subalterna por muitos e muitos anos ainda, concordassem com a cidadania de segunda classe em nome do conforto alheio. Em resumo: o que se queria é seguissem concordando com a própria discriminação.
Isso é até possível sob uma ditadura. Mas é difícil sob uma democracia, onde os homens e mulheres não são iguais mas, a cada quatro anos, cada um vale um voto.  Essa é, no fundo, a grande mensagem da votação.  Quem não entendeu, não entendeu o país.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Senador, o contraventor e a mídia golpista


 

Da Folha de São Paulo, via Conteúdo Livre

Rui Falcão - CPI na falsa vestal


Mais do que uma "vendetta" contra o fanfarrão, a CPI pode explicar o que existia além da ligação de patrão e empregado entre Cachoeira e Demóstenes

O episódio que revelou a escandalosa participação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) em uma organização criminosa merece algumas reflexões e, olhando para o futuro, uma ação imediata.
Desde que foi constatada a cumplicidade do senador com uma gama infindável de crimes, assistimos a uma tentativa (às vezes ridícula)de explicação para o logro em que alguns caíram.

Como justificar que o arauto da moralidade, crítico feroz dos governos Lula e Dilma, trabalhava e traficava informações, obtidas pelo uso indevido do mandato, para um conhecido contraventor?
Até a psicanálise foi fonte de argumentos na tentativa vã de entender as ligações do senador com o contrabando, o jogo ilegal, a escuta clandestina e a espionagem Ðtodas práticas tipificadas no Código Penal.

O certo, porém, é que a veneração que setores da mídia nutriam por Demóstenes refletia uma espécie de gratidão pela incansável luta, essa sim verdadeira, do parlamentar contra todos os avanços sociais obtidos pelos governos petistas.

Ressalte-se, aliás, que mesmo depois de flagrado na participação ativa em organização criminosa, o ainda senador, fingindo ignorar o mundo real, arvora-se a analisar, sob o crivo crítico dos tempos de falsa vestal, ações do governo Dilma.

Mais do que uma ªvendettaº contra o fanfarrão, porém, o Congresso está diante de uma oportunidade única de desvendar um esquema que, pelo que foi divulgado até agora, não se resume à ligação de empregado e patrão entre Demóstenes e o contraventor Carlinhos Cachoeira.

A morosidade do inquérito em algumas de suas fases e as ligações pessoais do promotor de carreira Demóstenes Torres com membros do Judiciário precisam ser investigadas. O mesmo se exige na apuração de vínculos obscuros do senador com altos mandatários de seu Estado, Goiás, bem como de sua quadrilha com veículos de comunicação. Que não se permita a operação abafa em andamento. Que se apure tudo, até para dissipar suspeitas.

O único caminho para o esclarecimento passa por uma CPI no Congresso, onde alguns parlamentares também foram ludibriados pelo falso paladino das causas morais.
Cabe à Câmara e ao ao Senado, sem nenhum espírito de corpo, aproveitar a oportunidade única de desmascarar a farsa até o fim.

Talvez, no caminho da investigação, descubramos outros pregadores da moralidade que também se beneficiem do esquema que se abastecia das informações colhidas e transmitidas ao chefe pelo senador Demóstenes Torres.

A história brasileira registra outros episódios em que a pregação das vestais serviu para embalar a defesa de interesses sempre contrários aos da maioria da população. O falso moralismo udenista não está tão distante.

Se a forma do engodo não é nova, cabe ao Congresso provar, com a CPI, que o país está disposto a dar um basta a esquemas de banditismo. O Partido dos Trabalhadores defende a instalação de CPI no Congresso e conclama a sociedade organizada a se mobilizar em defesa da mais ampla apuração do esquema corrupto desvendado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

RUI FALCÃO, 68, é deputado estadual (SP) e presidente nacional do PT

segunda-feira, 9 de abril de 2012

As relações do Brasil com os EUA quase sempre foram de subserviência. Hoje mudaram.

Do blog do Emir, na Carta Maior

Nós e eles: a viagem de Dilma aos EUA

As relações do Brasil com os EUA quase sempre foram de subserviência. Hoje mudaram. Não por eles, que continuam imperiais, prepotentes, sem consciência da sua decadência.

Terminada a segunda guerra, Octávio Mangabeira beijou as mãos do presidente dos EUA, Harry Truman, que visitava o Brasil. Instaurada a ditadura militar, Juracy Magalhaes, ministro de Relações Exteriores, adaptando a frase da General Motors, afirmou: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil.” Logo apos os atentados de 2001 nos EUA o então ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, se submeteu a tirar os sapatos para ser controlado em um aeroporto dos EUA. Os três são da mesma linhagem tucano udenista, sombras que deixamos para trás.

As relações entre o Brasil e os EUA mudaram, porque mudamos nós e porque o mundo está mudando. A Presidenta que chega hoje aos EUA é uma mulher, que lutou contra a ditadura militar que os EUA promoveram e apoiaram, eleita por seu antecessor, um operário que colocou o Brasil no caminho da soberania e do respeito internacional.

Não importa se o tratamento que eles deram ao seu aliado canino há poucos dias, foi pomposa, cheia de reconhecimentos e salamaleques. Que eles se abracem na decadência anglosaxã. Temos certeza que eles trocariam imediatamente esse apoio caquético por uma aliança estratégica conosco, se estivéssemos dispostos a isso.

Mas não estamos. Temos uma política externa independente, digna, que brecou o projeto norteamericano da Área de Livre Comercio das Américas (ALCA), que rejeita Tratados de Livre Comércio com os EUA, que privilegia a América Latina e seus projetos de integração regional, que prefere as relações com o Sul do mundo que com o Norte.

Não estarão na mesa os grandes temas da política internacional nas reuniões de Dilma com Obama. Porque sobre eles nós temos posições irreversivelmente antagônicas – Cuba, Irã, Palestina, crise econômica interacional, entre tantos outros.

Serão relações bilaterais, sobre temas particulares, entre uma potência decadente e uma potência emergente. Uma que projeta o mundo do século XX e outra que reflete o novo mundo, o do século XXI. Ninguem tem dúvidas qual delas tem projetada uma tendência descendente no novo século e qual tem uma tendência ascendente. Ninguém tem dúvidas que o século norteamericano ficou para trás e o novo século já é o século do Sul do mundo. Como representante desse mundo é que Dilma viaja hoje, digna, com a força moral da nossa soberania, aos EUA.

terça-feira, 27 de março de 2012

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Hospital Sírio-Libanês.

Via Portal Nassif

A visita de FHC a Lula

Por implacavel
De O Globo.com
Fernando Henrique visita Lula no Sírio-Libanês
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Fernando Henrique Cardoso e Lula em encontro no Hospital Sírio-Libanês<br />
Foto: Instituto Lula / Ricardo Stuckert
Encontro de ex-presidentes durou cerca de 50 minutos
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Hospital Sírio-Libanês. O encontro começou às 11h e durou cerca de 50 minutos.
Lula estava no hospital para fazer uma sessão de fonoaudiologia e, após o encontro, retornou a sua residência em São Bernardo do Campo. Fernando Henrique entrou no local por uma porta lateral evitando os jornalistas.
ex-presidente deve fazer os exames de avaliação do câncer na laringe na quarta-feira. Os exames estavam planejados para a semana passada e foram adiados em razão de uma inflamação que Lula tem na garganta, um dos efeitos colaterais do tratamento de radioterapia contra a doença. Devem ser feitos exames de imagem, como tomografias, e uma laringoscopia. Em exames anteriores de acompanhamento do tratamento, os médicos informaram que não notaram lesões na laringe de Lula, apontada para um possível desaparecimento do tumor.

sábado, 3 de março de 2012

O udenismo de oportunidade (ou será PRPismo ?) e a “Privataria Tucana”: as provas contra Cerra são vergonhosas.

Via Conversa Afiada

Mino e Cerra: as provas
vergonhosas da Privataria



Na Carta Capital desta semana, na imperdível “Rosa dos Ventos”, de Maurício Dias, há análise da “reencarnação de Cerra”, e possível saída de Aécio Never do PSDB.

Na Folha (*), pág. A10, Kassab confirma: contra Aécio, Cerra apoiará Dilma.

Mino Carta, no editorial da mesma Carta desta semana, atinge duas das feridas mais fundas de Cerra: o udenismo de oportunidade (ou será PRPismo ?) e a “Privataria Tucana”: as provas contra Cerra são vergonhosas.

O que fará o PT, Mino, sobre a CPI ?

O candidato da UDN


Há dez anos a mídia apresentava José Serra, candidato à Presidência da República pelo PSDB, como cidadão “preparado”. À época, meus dedutivos botões esclareceram que, segundo editorialistas, colunistas, articulistas, todos os demais candidatos eram “despreparados”, a começar, obviamente, por Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-operário metido a sebo. Dez anos depois, o cenário do quartel de Abrantes não mudou.


Os jornalões paulistas vivem em êxtase diante da decisão de José Serra de concorrer à prefeitura de São Paulo.


Parece, até, que o nosso herói se tornou ainda mais “preparado”, o próprio diz representar uma visão distinta do Brasil e da política que convém ao País, em defesa da democracia e da fé republicana, ameaçadas pelo petismo no poder. Na corte tucana, não falta quem denuncie o projeto “chavista” posto em prática pelo partido de Lula e Dilma. Deste, Chávez é o profeta. Palmas febris dos jornalões.


Qualquer partido que atue sobre esta nossa medíocre bola de argila a girar em torno do Sol visa ao poder para manter-se nele quanto mais puder. Talvez Serra tenha esquecido que, ao eleger Fernando Henrique Cardoso, o tucanato urdia o plano de permanecer na cúspide da pirâmide, a contemplar a nação do alto, pelo menos por 20 anos. Temo, porém, que o candidato tenha esquecido coisas mais. Evitarei o pieguismo de evocar as crenças que o moviam na juventude. Refiro-me, simplesmente, ao senso do real.


Hóspede da minha cozinha, há dez anos Serra mostrou-se preparado a consumir risotto ai funghi da lavra do acima assinado, tivesse mais espaço, eu declinaria a receita. De todo modo, o convidado apreciou, enquanto afirmava que em matéria de política social, se eleito, seria muito mais ousado do que Lula. Illo tempore considerava-o um amigo. Tenho motivos para entender que não perdoou a opção de CartaCapital pela candidatura do ex-operário. Salvo raríssimas exceções, os jornalistas nativos e seus patrões estavam com Serra. Como neste exato instante.


Certos apoios custam caro. Não sei, porém, se a observação no caso faz sentido. Há tempo, Serra soube insinuar-se nas graças dos patrões, em primeiro lugar destes antes que dos jornalistas. Melhor ser amigo do rei. A esta altura, admito que uma afinação perfeita se instalou entre o político e quem agora o promove, em função, precisamente, de uma invejável harmonia de ideias e propósitos. Trata-se, tudo indica, de uma convergência natural, de um acerto espontâneo. Diria mesmo fatal porque inescapável.


Serra, não menos que o mundo mineral, está em condições de registrar o óbvio: a mídia nativa representa o reacionarismo mais retrógrado e preconceituoso. Não triunfam ali os mais genuínos valores democráticos e republicanos, Serra sabe disso. E então, o que o leva a se colocar à direita da direita? Pelos atalhos da vida, às vezes os homens enterram o seu passado, honroso ou não, em nome de interesses contingentes ou de impulsos d’alma, redentores ou interesseiros.


Certo é que essa mídia a favor da treva, com extrema coerência, é preciso reconhecer, silencia, por exemplo, a respeito das denúncias do livro A Privataria Tucana, na singular certeza de que não aconteceram os fatos por ela deixados de noticiar. Os fatos, ora os fatos… No libelo do repórter Amaury Jr. há provas de mazelas vergonhosas que incriminam Serra. Vale a pena ignorá-las, contudo, a bem do privilégio na terra dos herdeiros da casa-grande. E assim queira o deus dos prepotentes e dos hipócritas.


O candidato Serra acaba de anunciar que seu sonho de Presidência da República está adormecido até 2016. Ou seja, se for prefeito, cumprirá seu mandato por completo. Fernando Henrique achava o sonho aposentado de vez, mas, já que o homem resiste, mudou de ideia. Supõe, arrisco-me a crer, que vencedor em São Paulo, o velho companheiro de tucanagens ganhará cacife para voltar à carga ao sabor do intuito supremo. Veremos o que veremos. Resta a evidência: o PSDB assumiu o papel outrora arcado pela UDN velha de guerra e José Serra figura à perfeição como seu candidato ao que bem entender.



Em tempo: Saiu no ig:

‘É algum outro país na cabeça de Serra’, diz Haddad


Petista aproveita gafe de tucano, que se referiu ao Brasil como “Estados Unidos do Brasil”, e rebate críticas ao governo Dilma


O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, aproveitou hoje a gafe cometida pelo adversário e pré-candidato do PSDB, José Serra, que referiu-se ao Brasil como ‘Estados Unidos do Brasil’ quando o correto é ‘República Federativa do Brasil’, para defender a presidenta Dilma Rousseff (PT) das críticas do tucano.


“Talvez estejamos falando dos Estados Unidos do Brasil e não da República Federativa do Brasil. É algum outro País na cabeça do candidato José Serra e não o Brasil”, ironizou Haddad.


(…)


Clique aqui para ver o vídeo estarrecedor: “Cerra não sabe como o Brasil se chama”.

E tem este outro vídeo do dirigente tucano que espinafra Cerra em púbico e sob aplausos.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quinta-feira, 1 de março de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Perigo à vista: Vladimir Putin prometeu um rearmamento "sem precedentes" da Rússia diante dos Estados Unidos e um avanço do complexo militar-industrial

Via Portal Nassif

A Rússia e a militarização do discurso de Putin 

Enviado por luisnassif, qua, 22/02/2012 - Por Assis Ribeiro

De Zwela Angola

Putin promete rearmamento da Rússia 'sem precedentes'

Vladimir Putin prometeu um rearmamento "sem precedentes" da Rússia diante dos Estados Unidos e um avanço do complexo militar-industrial que quer colocar, como na URSS, no centro do desenvolvimento do país, em um texto publicado nesta segunda-feira no âmbito da eleição presidencial.

O atual primeiro-ministro Vladimir Putin, que foi chefe de Estado de 2000 a 2008 e é candidato à presidência, põe como prioridade a necessidade de responder à implantação de um escudo antimísseis na Europa pelos Estados Unidos e Otan mediante o "reforço do sistema de defesa aérea e espacial do país". p>"Na próxima década serão destinados 23 bilhões de rublos (590 bilhões de euros, 773 bilhões de dólares) a estes objetivos (de rearmamento)", informa este longo texto publicado pelo jornal oficial Rosiskaya Gazeta, consagrado totalmente à questão militar.

"Temos que construir um novo exército. Moderno, capaz de ser mobilizado a qualquer momento", escreveu, considerando que o exército russo foi deixado de lado nos anos 1990 "no momento em que outros países aumentavam constantemente suas capacidades militares".

"Temos que superar completamente este atraso. Retomar um status de líder em todas as tecnologias militares", destacou Putin, citando o terreno espacial, a guerra no "ciberespaço", assim como as armas do futuro com efeito "geofísico, por raios, ondas, genes, psicofísico".

"A renovação do complexo militar industrial se converterá em uma locomotiva para o desenvolvimento dos mais diversos setores", disse Putin, quase certo de voltar no dia 4 de março ao Kremlim, que precisou deixar em 2008 ao estar impossibilitado pela Constituição de conquistar um terceiro mandato.

"Pretende-se que o renascimento do complexo militar-industrial seja um jugo para a economia, um peso insuperável que em seu tempo teria arruinado a URSS", comentou.

"Estou convencido de que isto é um profundo erro", escreveu o ex-agente do KGB (serviço de inteligência soviético), que, em 2005, classificou a explosão da União Soviética como a "maior catástrofe geopolítica do século XX".

"A URSS morreu por ter esmagado as tendências do mercado na economia (...). Não temos que repetir os erros do passado", destacou Putin, considerando que os novos investimentos no campo militar desta vez devem ser o "motor da modernização de toda a economia".

No entanto, esta perspectiva foi colocada em xeque pelos especialistas. Segundo Alexander Konovalov, presidente do Instituto de Análises Estratégicas de Moscou, "a ideia de que se pode realizar um salto à frente na economia graças ao complexo militar-industrial está superada desde os anos 1950".

Putin anunciou o "renascimento" da marinha russa, em particular no Extremo Oriente e no Grande Norte.

Retomou também a acusação recorrente na Rússia contra os Estados Unidos sem nomeá-los, segundo a qual "ocorrem" deliberadamente conflitos ou zonas de instabilidade perto de suas fronteiras e o direito internacional nas crise mundiais é cada vez menos respeitado.

Putin também anunciou a entrega em dez anos de "400 mísseis balísticos modernos, 8 submarinos estratégicos, 20 submarinos polivalentes, mais de 50 navios de superfície, cerca de cem veículos espaciais com função militar, mais de 600 aviões modernos, mais de 1.000 helicópteros, 28 baterias antiaéreas S-400...".

Os salários dos militares foram "praticamente multiplicados por três" no dia 1 de janeiro, e o exército russo - 1 milhão de homens - se tornará profissional para ter apenas 145 mil recrutas em 2020, anunciou.

Há um ano, o governo russo já havia anunciado um amplo plano de modernização do exército por cerca de 500 bilhões de euros (cerca de 661 bilhões de dólares).

Fonte: AFP